O livro de Rute me fascina, me empolga, por ser um livro de ensinos riquíssimos para os nossos dias. Nele encontramos Noemi, serva do Senhor, pedindo que suas noras, agora viúvas, voltassem para os seus deuses. Por outro lado, vemos Rute, gentílica, com pouquíssimos conhecimentos sobre o misericordioso Deus de Israel, fazendo uma gloriosa confissão a este mesmo Deus. É comovente lermos: “O teu Deus será o meu Deus”.
Em Moabe, pátria de Rute, cada casa tinha um altar. O chefe da casa era o sacerdote do lar. O deus que ele escolhesse seria o deus da família. Quando uma das filhas contraia matrimônio, ela passava a adorar o deus que seu marido trazia consigo. Rute deve ter ficado curiosa, pois na casa de sua sogra não havia altar algum, e eles diziam que adoravam um Deus! Onde estava esse Deus? “Só há um jeito de saber”, pensou ela. “É ir até a terra desse Deus para conhecê-lo melhor.” Foi, e assumiu atitude bastante humilde.
Rute não tinha problema de baixa estima. Não era como os cidadãos de hoje: Apareço, logo, existo. Não era consumista. Não precisava investir na aparência. Não temia uma viuvez continuada. O que importava era ser amparo para sua sogra, também viúva. Abriu mão da segurança na casa de seus pais, e creu conforme o livro dos Salmos: “ Nas tuas mãos estão os meus dias”. Rute não queria adoração copiada pelo show midiático. Ela queria ensino. E como aprendeu! Seguiu o ritual religioso, social, moral e familiar do povo do Deus Vivo.
Enquanto isso, a teologia errada de Noemi era confessada quando entrou na cidade, ao voltar. Partiu em tempo de fome, e disse que partiu na fartura. Parti rica, voltei pobre, confessou. Agora ela descobre que não há riqueza maior que a família. Quantos, quantos, quantos jovens de nossas igrejas hoje se esqueceram desse valioso princípio bíblico. Em uma de minhas igrejas havia um jovem cujo pai, não sendo crente, quis levá-lo ao conhecimento sexual por meio de prostitutas. Estava com 12 anos, mas soube responder ao pai: “Pai, se um dia eu resolver agir assim, não precisarei de sua ajuda”. Outro jovem alugou um carro na cidade do México, onde passaria três dias a negócio. Enquanto jantavam, esperando a partida do avião, o motorista lhe perguntou: “Que há contigo? Não falaste um palavrão, não me pediste para levá-lo às mulheres, e não bebeste nada alcoólico. Trata-se de religião?” O jovem respondeu: “Tenho compromisso com um homem e não tenho coragem de desapontá-lo”. O motorista pediu desculpas, porém ficou mais surpreso ainda quando o rapaz disse que ele também conhecia o tal homem com quem estava comprometido. Depois de profunda conversa evangelística, o motorista olhou bem nos olhos do jovem e disse: “Não fizeste de mim um cristão, porém jamais serei o mesmo homem!” Kierkegaard dizia: “Pureza de coração é desejar uma só coisa”.
Rute viveu intensamente essa teologia, uma teologia correta. Ela podia dizer: “Creio, logo, existo”. E como foi recompensada!
Pastor Manoel de Jesus The